Como definir pró-labore na clínica de estética
Veja como definir pró-labore na clínica de estética em 3 passos, com uma conta de exemplo, e como separar o dinheiro da clínica do seu de uma vez.

O Pix da paciente cai na sua conta pessoal, o mercado sai do cartão da clínica e, no fim do mês, você não sabe se sobrou dinheiro ou se foi o seu salário que cobriu o buraco. Saber como definir pró-labore é o primeiro passo para sair disso. O valor certo sai de duas contas: quanto custaria contratar alguém para fazer o que você faz e quanto o caixa aguenta pagar todo mês.
Por que misturar as contas esconde se a clínica dá lucro
Quando o dinheiro da clínica e o seu moram no mesmo lugar, nenhum número fecha. Os sinais mais comuns:
- as pacientes pagam por Pix na sua conta pessoal, ou existe uma conta só para tudo;
- você tira dinheiro “quando precisa”, sem valor nem data;
- a conta da clínica paga o mercado, a escola ou a parcela do carro;
- o cartão pessoal paga insumo da clínica, e ninguém anota.
O resultado é que o faturamento parece alto, o saldo parece baixo, e não dá para dizer se o preço dos procedimentos está certo. O Sebrae, no material sobre pró-labore e distribuição de lucros, resume assim: “Não se pode sangrar a empresa por conta de necessidades pessoais.”
Para começar, pegue o extrato do último mês e marque com uma cor tudo que foi gasto pessoal. Só ver o tamanho dessa mancha já ajuda a decidir.
Pró-labore, lucro e retirada: a diferença em linguagem simples
São três nomes que costumam virar um só na cabeça de quem tem clínica pequena.
- Pró-labore é o pagamento pelo seu trabalho. Pelo Sebrae, ele “corresponde ao salário de um administrador contratado” e deve ser definido “com base nos salários de mercado”. Na clínica em que você também atende, ele paga a esteticista e a gestora, que são a mesma pessoa.
- Distribuição de lucro é o pagamento pelo risco de ter o negócio. Ela só existe se sobrar dinheiro depois de todos os custos, inclusive o pró-labore. O Sebrae é direto: “Não havendo lucro, não pode haver tal distribuição.”
- Retirada é o nome do dia a dia para qualquer dinheiro que sai da clínica para você. O objetivo é que ela tenha valor e data, e deixe de ser um Pix por impulso.
A diferença também pesa nos impostos. Segundo o BDMG Orienta, o pró-labore tem INSS e imposto de renda, enquanto o lucro distribuído segue regra própria.
Escreva numa folha as três palavras e, ao lado, quanto você tirou da clínica no último mês em cada uma. Se tudo cair em “retirada sem data”, o método de três passos é o seu ponto de partida.
Como definir pró-labore em 3 passos
O método segue os passos do Sebrae, adaptados para a dona que atende e administra ao mesmo tempo.
- Liste o que você faz na clínica. Atendimentos, agenda, compras, financeiro, redes sociais, recepção. Anote quantas horas por semana vão para cada coisa.
- Calcule quanto custaria contratar alguém para isso. Pesquise o salário de uma esteticista na sua cidade e, se você também administra, o de uma gerente ou recepcionista pelas horas que gasta com gestão. Essa soma é o valor “de mercado” do seu trabalho.
- Confira o teto que o caixa aguenta. Some as entradas de um mês típico, tire todos os custos e tire o dinheiro de pacotes com sessões ainda a cumprir. O que sobra é o máximo que dá para pagar sem apertar a clínica.
Depois, cruze com o mínimo das suas despesas pessoais (moradia, comida, contas fixas). Três situações podem aparecer:
- o valor de mercado cabe no caixa e cobre suas despesas: esse é o seu pró-labore;
- o caixa não aguenta o valor de mercado: comece com o que cabe e anote a diferença. Ela mostra quanto a clínica ainda precisa crescer ou ajustar preço para pagar o seu trabalho;
- o caixa aguenta mais que o valor de mercado: fique no valor de mercado e trate o resto como lucro, com reserva antes de distribuir.
O pró-labore também entra no custo de cada procedimento. Se você ainda não calculou o seu custo-hora, o guia de como precificar procedimentos estéticos mostra onde ele entra na conta.
O que fazer agora: faça os passos 1 e 2 hoje, mesmo com números aproximados. O passo 3 depende do extrato do último mês.
Exemplo: clínica de uma sala em que a dona também atende
Os números abaixo são hipotéticos, só para mostrar a conta. Imagine uma clínica de uma sala, com a dona atendendo sozinha, enquadrada como microempresa no Simples.
| Item do mês | Valor |
|---|---|
| Entradas recebidas | R$ 14.000 |
| Aluguel, luz, água, internet | R$ 2.250 |
| Contadora, sistema e divulgação | R$ 900 |
| Insumos e produtos | R$ 2.100 |
| Taxas de cartão e impostos | R$ 1.300 |
As saídas somam R$ 6.550, e sobram R$ 7.450. Parece que dá para tirar R$ 7.000, mas dentro das entradas há R$ 3.000 de pacotes pagos à vista, com sessões que ainda vão acontecer. Esse dinheiro já tem dono: vai pagar insumo e o seu tempo nos próximos meses. Tirando o pacote, a sobra real do mês é R$ 4.450.
Agora os três passos. Suponha que, pesquisando, a dona chegou a R$ 4.000 como custo de contratar alguém para fazer o que ela faz, e que as despesas pessoais mínimas dela são R$ 3.500. O pró-labore de R$ 4.000 cabe na sobra real, cobre as despesas e deixa R$ 450 de folga no mês.
Sobre esse valor incide o INSS de 11%, segundo o BDMG Orienta: R$ 440 neste exemplo. O imposto de renda depende da tabela e de outros rendimentos dela, por isso a contadora faz essa parte. Se a dona tivesse tirado R$ 7.000, a clínica entraria no mês seguinte devendo sessões sem dinheiro para cobri-las. O post sobre pacotes de estética mostra como acompanhar essas sessões em aberto.
O que fazer agora: refaça esta tabela com os números do seu último mês e separe, numa linha à parte, o valor de pacotes com sessões a cumprir.
MEI, Simples e impostos sobre o pró-labore
Cada enquadramento muda a conta, e esta parte é a que mais vale levar para a contadora.
- MEI: não existe pró-labore formal. A contribuição ao INSS já vai na guia mensal fixa, e o que você tira é retirada. O controle de valor e data continua valendo. Se você está em dúvida sobre o enquadramento, o post sobre se esteticista pode ser MEI explica os limites.
- Microempresa no Simples: segundo o BDMG Orienta, incidem 11% de INSS sobre o pró-labore, limitado ao teto da Previdência, e imposto de renda pela tabela. A contribuição patronal de 20% em geral não se aplica no Simples, com exceção do Anexo IV.
- Lucro distribuído: segue regra própria. Desde 2026, com a Lei 15.270/2025, há retenção de 10% sobre o que passa de R$ 50 mil por mês por pessoa, segundo o BDMG Orienta. É um valor longe da realidade da maioria das clínicas pequenas.
O anexo do Simples e a combinação entre pró-labore e lucro mudam o imposto da clínica. Faça essa conta com a contadora antes de fixar o valor.
Próximo passo: mande para a contadora o valor a que você chegou nos três passos e pergunte quanto fica de INSS e IR no seu enquadramento.
Como separar as contas na prática
Definir o valor resolve metade do problema. A outra metade é a rotina.
- Tenha uma conta só da clínica, no CNPJ, e use a sua conta pessoal só para você.
- Faça tudo da clínica entrar nela: Pix, cartão, link de pagamento e dinheiro em espécie depositado. Troque a chave Pix que as pacientes usam, se ainda for a pessoal.
- Escolha uma data fixa para transferir o pró-labore, como o dia 5. Uma transferência por mês, sempre o mesmo valor.
- Pague as contas da clínica só pela conta da clínica, e as suas só pela sua.
- Quando escapar um gasto pessoal, lance como retirada sua e desconte do pró-labore seguinte. Nunca lance como despesa da clínica.
No fluxo de caixa da clínica, a transferência mensal entra como saída numa categoria própria, separada das despesas da operação. Assim, no fim do mês, você vê o que a clínica gastou para funcionar e o que foi para você.
O que fazer agora: marque na agenda a data do seu pró-labore, como se fosse uma paciente fixa.
Quando revisar o valor do pró-labore
O valor definido hoje não precisa ser para sempre. Revise quando:
- completar os três primeiros meses com a regra nova, com números reais em vez de estimativa;
- vier um mês fraco: mantenha o valor se houver reserva, e reduza só se a sobra real não cobrir;
- subir o preço dos procedimentos ou mudar o mix de serviços;
- entrar uma nova profissional, porque o seu tempo muda e o custo da clínica também.
Já deixe anotada na agenda uma revisão daqui a três meses, com o extrato desse período em mãos.
Onde a Linnu entra
A Linnu ajuda a deixar visível a separação entre o dinheiro da clínica e o seu, a partir do que a clínica lança.
- Receitas e despesas com categoria e conta: você pode criar uma categoria para o pró-labore e lançar a transferência mensal como saída, separada das despesas da operação.
- Contas, transferências e fluxo de caixa diário: o fluxo mostra saldo inicial, entradas, saídas, resultado e saldo final, e o extrato de cada conta ajuda a conferir o que entrou e saiu.
- Dashboard Financeiro: reúne receitas e despesas do período. Os números dependem do que a clínica lança.
- Relatório de pacotes: permite ver as sessões que ainda faltam realizar, para lembrar que parte do caixa já tem destino.
Se quiser testar com a sua rotina, use a Linnu grátis por 7 dias e faça o primeiro lançamento do seu pró-labore na categoria própria.
Perguntas frequentes
Quanto posso tirar de pró-labore?
O ponto de partida é quanto custaria contratar alguém para fazer o que você faz na clínica. Depois, confira se o caixa aguenta esse valor todo mês, sem contar dinheiro de pacote com sessões ainda a cumprir. Se não aguentar, comece mais baixo e revise em três meses.
MEI precisa ter pró-labore?
O MEI não precisa declarar pró-labore: a contribuição ao INSS já vai na guia mensal fixa. Mesmo assim, definir uma retirada fixa por mês ajuda a separar o seu dinheiro do dinheiro do negócio.
O que é melhor, pró-labore ou distribuição de lucros?
São coisas diferentes e uma não substitui a outra. O pró-labore paga o seu trabalho todo mês e tem INSS e imposto de renda; a distribuição de lucro só existe se a clínica deu lucro no período. A combinação certa para o seu caso é conversa para ter com a contadora.
Posso pagar uma conta pessoal com o dinheiro da clínica se depois devolver?
Pode acontecer, mas o melhor é lançar esse gasto como retirada sua e descontar do pró-labore seguinte. Assim o caixa da clínica continua mostrando a verdade, sem empréstimo informal que ninguém lembra de devolver.


